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As eleições de Dezembro no Reino Unido e as de 8 de Fevereiro na República da Irlanda geraram um terramoto político muito abafado pela comunicação social corporativa e que pode ser o princípio do fim do Reino Unido tal como o conhecemos. Pela primeira vez em mais de cem anos, o Sinn Fein, o principal partido pela reunificação da Irlanda, venceu eleições praticamente simultâneas na República da Irlanda e na Irlanda do Norte. Significa isso que um eventual referendo, previsto nos Acordos de Sexta-Feira Santa (1998), poderá implicar a libertação de toda a Irlanda do que resta do colonialismo britânico. E o independentismo escocês pode seguir pelo mesmo caminho. O Reino Unido ameaça ruir.
Os Estados Unidos praticam em casa aquilo de que costumam acusar outros países, chegando a promover golpes de Estado como punição: fraudes eleitorais. Ainda agora começaram as eleições primárias do Partido Democrático e já as evidências de viciação de resultados saltam aos olhos de todos. No Estado de Iowa, o mecanismo eleitoral escolhido pela campanha do candidato que se auto-declarou “vencedor” sofreu “erros de codificação”, muito provavelmente em desfavor do “socialista” Bernie Sanders. O mesmo Sanders que, em 2016, foi vítima da viciação eleitoral que permitiu a Hillary Clinton disputar as presidenciais contra Trump. Investigações feitas, vários membros da equipa de Clinton são agora quadros da empresa que montou a aplicação eleitoral escolhida no Iowa. E Sanders é o inimigo de estimação da direcção do Partido Democrático. São assim os métodos políticos seguidos por quem emite juízos sobre supostas “fraudes eleitorais” na Bolívia ou na Venezuela, por exemplo.
Chegou o dia. É hora de consumar o Brexit, um movimento que contraria o dogma tácito totalitário instituído pelos eurocratas de que “da União Europeia não se sai”. Verifica-se agora que sair é possível, embora a duras penas, sob enxovalhos da democracia, neste caso contra os desafiadores britânicos como se deduz ainda dos tons ameaçadores usados nas últimas horas pelas instituições de Bruxelas em relação aos 11 meses do período de transição. A situação colonial da Irlanda do Norte vai ser explorada pelo federalismo europeísta no capítulo que se segue, dentro da estratégia de transformar o Brexit num processo exemplar a não seguir por qualquer outro Estado membro.
Documentos oficiais tornados de acesso livre agora pelos Arquivos Nacionais Britânicos revelam que os governos de Londres financiaram secretamente meios de comunicação como a agência Reuters e a BBC para publicarem falsas notícias contra a União Soviética, instituições e organizações comunistas. Os documentos dizem respeito ao período entre 1945 e 1977; nada indica que tais procedimentos tenham sido abandonados desde então, independentemente das alterações na cena internacional e das mudanças de proprietários daqueles e outros órgãos de informação.
Antes que a enxurrada de desinformação produzida pela comunicação social corporativa mistifique a história oficial destes dias de guerra, caos e ilegalidade na cena internacional é altura de descodificar a cadeia de acontecimentos para que seja possível distribuir responsabilidades e invalidar mentiras. Se os Estados Unidos da América, como é habitual e natural, sobressaem como os artífices de uma trama que ameaça o planeta, é importante notar que o “nosso mundo civilizado”, com a NATO e a União Europeia à cabeça, não fazem figura de inocentes. Aliás, nem o governo da República Portuguesa se salva.
Quando o exemplo vem do topo da pirâmide não é de admirar que o trabalho escravo prolifere no espaço da União Europeia: o chamado “Edifício Europa”, obra imponente de Bruxelas onde se reúnem os chefes de Estado e de governo dos países membros – o Conselho Europeu – foi construído, em parte, por operários sem contratos laborais e privados de salários durante meses a fio.
Na recente cimeira Rússia-África, realizada em finais de Outubro em Sochi, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou o cancelamento de 20 mil milhões de dólares de dívidas acumuladas por países africanos. Qual o significado deste gesto, que mesmo em Moscovo foi muito criticado como uma generosidade sem sentido? Uma das explicações é o facto de a Rússia estar atenta à política chinesa no continente africano.
Golpe de Estado na Bolívia, manobras políticas no Chile que contrariam os objectivos das manifestações populares, intriga política imperial na Austrália, guerras comerciais. Trata-se de acontecimentos que, normalmente, são lidos de forma autónoma com base em incidências locais ou regionais. Porém, não podem ser convenientemente interpretados se não forem observados à luz de manobras geopolíticas de carácter global relacionadas com um novo combustível estratégico, capaz de rivalizar em importância com o petróleo: o lítio. Sem ele não se fabricam as baterias para a indústria de veículos eléctricos, em explosão, e dos mais correntes gadets, a começar pelos telemóveis.
Documentação fidedigna entregue ao website WikiLeaks por um membro da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ, OPCW em inglês) confirma que esta entidade falsificou relatórios sobre supostos ataques químicos na Síria de maneira a responsabilizar o governo de Damasco pelo crime. Um desses acontecimentos falsificados esteve na origem no ataque com mísseis de cruzeiro contra território sírio realizado por Estados Unidos, França e Reino Unido em 14 de Abril de 2018.
Tal como aconteceu com Saddam Hussein e Muammar Khaddafi, as grandes potências ocidentais traçaram o mesmo futuro a Bachar al-Assad: o desaparecimento político, ou mesmo físico. Porém, os terroristas "moderados" apoiados pelo Ocidente na guerra contra a Síria transformaram-se numa apocalíptica máquina de morte e, apesar disso, Bachar al-Assad emergiu como vencedor do conflito e tendo ao lado uma grande potência, a Rússia. Mais uma vez o Ocidente tomou os desejos por realidades, leu a narrativa dos acontecimentos ao contrário e saiu humilhado. Só que isso custou milhões de vítimas, uma crise de refugiados e deixou um país e um povo em ruínas.
Christine Lagarde, directora administrativa cessante do Fundo Monetário Internacional (FMI), é a nova presidente do Banco Central Europeu (BCE). O presidente francês, Emmanuel Macron, agindo em nome de poderosos interesses bancários, foi fundamental para a sua indicação. Muito elogiada pela comunicação social dominante, Lagarde é igualmente a favorita de Wall Street e da Reserva Federal (banco central) dos Estados Unidos. A imprensa omite, porém, que Lagarde é uma funcionária corrupta envolvida em fraude financeira. A presidente do BCE tem antecedentes criminais.
Evo Morales foi reeleito presidente da Bolívia e o seu partido, o Movimento para o Socialismo (MAS), conquistou as maiorias absolutas na Câmara dos Deputados e no Senado. A vitória presidencial foi conquistada na primeira volta, pois Morales teve mais de 40% dos votos e uma vantagem superior a 10 pontos percentuais (10,1) sobre o seu principal rival, uma das condições exigidas pelas leis bolivianas. A oposição, que se diz democrática, recusa-se a aceitar os resultados, como acontece normalmente num quadro onde estão sempre presentes as pressões golpistas dos Estados Unidos.
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