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RÚSSIA E TURQUIA ENTENDEM-SE SOBRE A SÍRIA

O memorando de entendimento russo-turco assinado em 22 de Outubro pelos presidentes Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan é um documento essencial para compreender a fase actual da guerra internacional contra a Síria e as perspectivas de evolução que o problema regista. Esclarecedor, tanto pelo que afirma como pelo que omite, o texto contém em si mesmo alguns importantes mecanismos de travagem dos objectivos pretendidos pela NATO, pelos Estados Unidos e outras potências suas aliadas.

TRUMP ORGANIZA PILHAGEM DO PETRÓLEO SÍRIO

O secretário norte-americano da Defesa, Mark Esper, afirmou numa conferência de imprensa que, apesar da anunciada retirada militar da Síria, tropas dos Estados Unidos ficarão estacionadas no Leste do país para “proteger” os campos de petróleo. Trump tinha dito:"talvez mais alguém queira este petróleo e, nesse caso, terá de submeter-se a um combate infernal".

COMO A NATO APOIA A TURQUIA CONTRA A SÍRIA

Muitos membros da NATO derramam todas as lágrimas que conseguem com a sorte dos curdos no nordeste da Síria, escondendo deste modo que validaram previamente a operação turca designada “Fonte de paz”. Para dissipar as dúvidas, o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, deslocou-se pessoalmente a Ancara três dias depois do início dos combates para levar o apoio da organização à Turquia.

A OFENSIVA TURCA E O QUEBRA-CABEÇAS NA SÍRIA

A invasão da Turquia é um novo episódio da guerra internacional contra a Síria. Tratando-se de uma violação da soberania síria – apesar de Ancara invocar a Carta das Nações Unidas alegando que se trata de “autodefesa” – a operação veio provocar alterações significativas nas relações de forças no terreno, e nem todas elas, porém, desfavoráveis à República Árabe Síria. O que está a acontecer revela um dos mais complexos quebra-cabeças existentes hoje no panorama internacional.

A SÍRIA ENTRE O MARTELO OTOMANO E A BIGORNA ISRAELITA

A Síria, numa situação desconfortável e vulnerável, está a ser prensada entre o martelo otomano, a norte, e a bigorna israelita, a sul. Ambos os sectores são hostis, expansionistas e ocupam território sírio. Por vezes, quando se menciona uma “zona segura” ao longo da fronteira sírio-turca vem à mente a situação que se vive na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Em ambos os casos invocam-se razões de “segurança”: há um Estado colocado sob ameaça a pretexto da “segurança” do Estado vizinho.

TURQUIA AMEAÇA A SÍRIA E ABRE CONFLITO NA NATO

O anúncio feito pela Turquia de que está prestes a lançar uma grande ofensiva militar no norte da Síria, a leste do rio Eufrates, agravou a espiral de instabilidade na região, que passa agora bem pelo interior da NATO e revela até que ponto a guerra desencadeada por sectores da “comunidade internacional” contra o povo sírio e criou e multiplicou artificialmente numerosos focos de conflito.

“MODO DE VIDA EUROPEU”: O SUPLÍCIO DOS REFUGIADOS

A União Europeia está cada vez mais confrontada com o fracasso da sua estratégia de terceirizar a política de refugiados em troca de avultadas somas de dinheiro para que outros países travem as entradas no continente e não permitam assim que seja perturbado o “modo de vida europeu”, segundo a terminologia estabelecida pela nova presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A recente mudança de posição da Turquia agravou a situação nessa matéria.

TROPAS SÍRIAS PROGRIDEM NA LIBERTAÇÃO DE IDLEB

O exército regular da Síria libertou Khan Cheikhoun, a cidade mais importante do governorato de Idleb, o último departamento administrativo em poder dos terroristas agrupados na al-Qaida e que são apoiados por potências da NATO. Trata-se de um importante resultado da vasta operação lançada pelas topas de Damasco, com apoio da aviação russa, para retirar a província do controlo dos terroristas.

MÍSSEIS RUSSOS NA TURQUIA ABALAM XADREZ ESTRATÉGICO

Em 12 de Julho a Rússia entregou à Turquia o primeiro carregamento de mísseis antiaéreos S-400, de acordo com o Ministério da Defesa de Ancara. Estão previstas mais duas entregas até final do Verão, sendo a última, segundo a mesma fonte, de “mais 120 mísseis antiaéreos de vários tipos” e que viajarão por via marítima. A concretização do negócio entre Moscovo e o país que possui as maiores forças convencionais da NATO, a seguir aos Estados Unidos, tem um potencial desestabilizador para as relações de forças existentes entre as grandes potências mundiais.

TURQUIA ALTERA JOGO DE FORÇAS NO MÉDIO ORIENTE

A Turquia está em rotura com os Estados Unidos e a NATO e parece em vias de criar uma aliança militar com o Irão e o Qatar.

ESTADOS UNIDOS E TURQUIA ASSUSTAM O GLOBALISMO CAPITALISTA

Não é um arrufo, a zanga é mesmo séria. O facto de Erdogan ser um ditador islamita e Trump um perigoso e tacanho nacionalista não são as causas. É mais uma guerra aberta que mina o globalismo neoliberal nascido dos escombros do muro de Berlim.

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