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O general Kaliman, que “sugeriu” a demissão de Morales, vive agora nos Estados Unidos e foi agraciado com um milhão de dólares; a CIA, a Embaixada norte-americana em La Paz e empresas contratadas minaram as redes sociais com vagas de fake news para provocarem a agitação social; dinheiro e armas com origem em Washington choveram em Santa Cruz, o epicentro fascista da conspiração; funcionários da Embaixada compraram votos rurais e coordenaram a acção com colegas do Brasil, Paraguai e Argentina; os conspiradores estiveram em contacto directo com os mesmos senadores dos Estados Unidos envolvidos nos golpes de Guaidó contra a Venezuela. Estes e outros factos, designadamente o papel da OEA, comprovam a condução norte-americana do recente golpe de Estado fascista na Bolívia.
O impeachment contra Donald Trump faz correr muita tinta e preenche horas e horas das emissões de televisão. E, no entanto, por obra e graça de quem ataca e quem defende, democratas, republicanos ou antes pelo contrário, o processo é uma refrega de baixa política sobre interesses de castas que tem como pretexto o envolvimento imperial de Washington na Ucrânia. Os depoimentos são obras de ficção, deliberadamente afastados do nó do problema ucraniano. Se fossem analisados à luz dos comportamentos norte-americanos reais e da situação no terreno nenhum dos envolvidos, fosse de que lado fosse, escaparia a um higiénico impeachment.
O chefe de Estado e o governo da República portuguesa estão em silêncio perante as atrocidades contra a democracia e os direitos humanos praticadas na Bolívia e no Chile. Em circunstâncias onde o poder neoliberal se vê forçado a mostrar a sua verdadeira face ditatorial para evitar a aplicação plena da democracia, com todas as suas consequências, as principais figuras do Estado português escolhem o silêncio, talvez a maneira mais indigna de se identificarem com a crueldade do sistema – ao mesmo tempo que ignoram a Constituição da República.
Os pouco mais de cem refugiados que penavam à deriva no Mediterrâneo a bordo do barco “Open Arms” desembarcaram, finalmente, em Lampedusa, Itália. Cem refugiados, cem vidas salvas à condição, mas uma parcela ínfima de um drama que persiste mesmo quando a comunicação social domesticada não dá por ele. A embarcação, porém, foi apresada: parece que salvar vidas é crime.
O recente encontro entre a presidente indigitada da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro húngaro, o neofascista Viktor Orban, revelou uma significativa identidade de pontos de vista em assuntos como a política de migração, a política de defesa e segurança e a indústria militar. “Concordámos com a necessidade de um novo começo e soluções pragmáticas sobre migração”, disse von der Leyen. Em questões de migração, a nova presidente da Comissão “é capaz de pensar com a cabeça dos europeus da Europa Central”, comentou Orban.
O que está em curso há mais de setenta anos contra o povo palestiniano é um genocídio. Bárbaro. Impune. Ignorado. Branqueado por uma “comunidade internacional” que repudia o próprio direito pelo qual deveria guiar-se; e por uma comunicação social vesga e totalitária que tomou conscientemente o partido dos genocidas, pelo que chega ao comportamento perverso de acusar as vítimas de práticas terroristas.
O embaixador cessante de França nos Estados Unidos, Gérard Araud, não tem dúvidas: Israel é um Estado que pratica o apartheid; e a União Europeia é cúmplice dessa situação aviltante para os direitos humanos agindo como um súbdito dos Estados Unidos e da política terrorista de Israel. Outros diplomatas de Estados membros da União pensam da mesma maneira, mas nada disso se reflecte na acção de Bruxelas e dos governos dos 28. A colonização da Cisjordânia está prestes a transformar-se em anexação e a União Europeia, proclamando-se "farol da democracia", não mexe um dedo para impedir que tal aconteça.
Sharpeville, África do Sul, 21 de Março de 1960. O massacre de 70 pessoas ficou assinalado na história como um dos crimes mais horrendos do racismo institucionalizado. A data assinala actualmente o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial. Porque ela existe, manifesta-se de forma menos sangrenta - a não ser em Gaza, por exemplo - mas continua insidiosamente entranhada nas nossas sociedades. Há quem rejeite a realidade da discriminação racial, também em Portugal. Um negacionismo que é, afinal, uma forma de a perpetuar e contra o qual se se realiza um acto cívico nesta quinta-feira, uma concentração no Largo de S. Domingos, em Lisboa, a partir das 18 horas.
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