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TROPAS SÍRIAS PROGRIDEM NA LIBERTAÇÃO DE IDLEB

Soldados sírios celebrando a reconquista da cidade de Khan Cheikhoun

2019-08-22

Edward Barnes, Damasco; com Reseau Voltaire

O exército regular da Síria libertou Khan Cheikhoun, a cidade mais importante do governorato de Idleb, o último departamento administrativo em poder dos terroristas agrupados na al-Qaida e que são apoiados por potências da NATO. Trata-se de um importante resultado da vasta operação lançada pelas topas de Damasco, com apoio da aviação russa, para retirar a província do controlo dos terroristas.

Outras vitórias das tropas regulares já registadas nesta fase da ofensiva são os importantes recuos dos mercenários das posições avançadas que ainda mantinham no governorato de Hama e também a libertação da autoestrada entre Damasco e Alepo, as duas principais cidades do país. 

A cidade de Idleb é a capital do governorato com a mesma designação, mas não tem a mesma importância e dimensão económica de Khan Cheikhoun. A reconquista desta cidade é uma significativa derrota da al-Qaida e dos seus sustentáculos externos.

A intensificação da ofensiva em curso conduzida pelo exército sírio tem a ver com a aproximação do final do Verão, considerada a época ideal para uma operação desta envergadura. O calor já não é sufocante e as primeiras chuvas do Outono não transformaram ainda esta região agrícola num atoleiro para os veículos militares pesados.

A Turquia em causa

A estratégia dos militares sírios concentra-se em cortar as estradas que permitem o abastecimento de armamento e a chegada de reforços jihadistas, todos eles enviados do estrangeiro. 

O governorato de Idleb tem estado ocupado por uma miríade de grupos terroristas sob a bandeira do Tharir al-Cham, uma das várias designações da al-Qaida. A maior parte destes grupos têm sobrevivido ao cerco mantido pelas tropas sírias devido ao apoio directo da Turquia, um país da NATO.

No quadro dos acordos de Sotchi, assinados em Setembro do ano passado, a Turquia já deveria ter retirado as suas armas pesadas da região, e que têm ajudado a manter a ocupação terrorista. No entanto, isso não aconteceu.

Violando ainda os acordos assinados, a Turquia enviou recentemente uma coluna de camiões e blindados para tentar fazer chegar armas e munições aos terroristas, com o objectivo de contrariar a ofensiva. A vanguarda desta coluna era constituída unicamente por grupos de mercenários, que foram duramente atingidos pelos bombardeamentos da aviação russa.

Ancara protestou contra Moscovo, alegando que se tratou de uma violação dos acordos de Sotchi – que a própria Turquia tem vindo a desrespeitar. Observadores militares consideram que o aparelho militar turco, que não participa nos combates, já não tenta preservar a ocupação de Idleb mas sim salvar as vidas dos mercenários, objectivo muito difícil de concretizar no campo de batalha.

A França e a Alemanha, que têm permitido a sobrevivência da ocupação terrorista durante o último ano, através do fornecimento de víveres e armas, não parecem estar directamente envolvidas nos combates. O mesmo acontece com as tropas norte-americanas presentes na Síria como ocupantes.

A batalha por Idleb em curso é considerada estrategicamente decisiva para derrotar a operação internacional montada para desmantelar a Síria, a exemplo do que aconteceu na Líbia e no Iraque.


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