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RÚSSIA E CHINA RESPONDEM AO CERCO

Tropas da Rússia, da China e da Mongólia nos exercícios militares conjuntos Vostok 2018, que envolveram mais de 300 mil efectivos

2018-09-21

Castro Gomez, Moscovo
Dois acontecimentos recentes de alto nível, um de âmbito económico, outro de âmbito militar, demonstraram que a China e a Rússia atravessam uma fase histórica de entendimento e cooperação que se orienta, por um lado, pelo apuramento da resposta ao cerco imposto pela NATO e, por outro, pela dinamização do potencial comum tendo em vista, designadamente, projectos de desenvolvimento no Oriente e Extremo Oriente.

Além disso, o importante encontro entre o presidente russo e o primeiro ministro do Japão, Shintaro Abe, e a evolução no entendimento bilateral entre as duas Coreias, com apoio total de Pequim e Moscovo, revelam importantes convergências para a existência de uma alternativa na Ásia à estratégia de dominação norte-americana.
Os presidentes russo e chinês, Vladimir Putin e Xi Jinping, encontraram-se em Vladivostok, no Extremo-Oriente russo, no quadro do importante Fórum Económico do Oriente.
Em cima da mesa esteve a programação da próxima fase da cooperação bilateral entre os dois gigantes através da harmonização das linhas estratégicas de cada um para o continente – a Iniciativa do Cinturão e Rota, do lado chinês, e a União Económica Euroasiática, do lado russo. As áreas de desenvolvimento que vão merecer as atenções prioritárias do esforço de cooperação sino-russo são a energia, a agricultura, a inovação científica e tecnológica, finanças, ciência e tecnologias de ponta.
Celebrando-se o Ano de Cooperação e Intercâmbios Locais China-Rússia, os dois presidentes debateram o estabelecimento de condições para que a cooperação ao nível central encoraje o dinamismo e a criatividade para projectos regionais e locais capazes de aproveitar o potencial de sinergias por explorar entre os dois países – numa perspectiva de longo prazo, para alcançar o desenvolvimento integrado e coordenado.
Participantes no Fórum de Vladivostok testemunharam a sua convicção de que nunca como agora, na história recente, as relações entre a China e a Rússia registaram um progresso tão continuado, consistente e a tão elevado nível de entendimento.

Componente militar

Esse facto foi igualmente comprovado pela participação de forças e equipamentos militares chineses nos exercícios “Vostok-2018”, os de maior envergadura realizados pelas Forças Armadas russas na história moderna.
As manobras foram concluídas por uma parada militar conjunta realizada no dia 13 de Setembro em Tsogul, na região Transbaikal da Rússia, e que teve a presença do presidente russo e do ministro da Defesa da China, Wei Fenghe, também conselheiro de Estado.
O ministro chinês declarou, na ocasião, que o exercício militar reflectiu a confiança e determinação de Pequim e Moscovo em defenderem conjuntamente a paz e a segurança regionais, através do reforço da capacidade das duas forças armadas para responderem às múltiplas ameaças à segurança dos dois países.
Vladimir Putin elogiou as tropas dos dois países que participaram nas manobras, que qualificou de alto nível e uma demonstração da capacidade para lidar com potenciais ameaças militares.
Os exercícios envolveram cerca de 300 mil soldados russos e 3200 militares chineses; Pequim enviou ainda mais de mil peças de armamento e dezenas de aviões e helicópteros.
O desfile militar foi a ocasião escolhida para a Rússia apresentar alguns dos seus equipamentos mais recentes e poderosos, designadamente os mísseis Iskander, os tanques T-80 e T-90 e os caças Su-34 e SU-35.
O Exército de Libertação Popular da China apresentou o seu principal blindado, Tipo-99, o veículo de combate de infantaria ZBD-08, os helicópteros de ataque WZ-9, WZ-19 e MI-171 e o bombardeiro JH-7A.
A participação das tropas chinesas neste exercício foi a primeira actividade militar em grande escala no exterior desde as reformas realizadas nas forças armadas, em 2016.
Foi também o acontecimento de maior envergadura das tropas russas desde o início da reforma do exército, em 2008.
Shao Yuanming, comandante em chefe chinês em exercício, salientou a importância de os dois países continuarem a cooperação militar e explorarem novas formas possíveis de melhorar a capacidade de combate de ambas as forças armadas.


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