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EUROPA “VAI TER DE PAGAR A PROTECÇÃO” DE WASHINGTON

Bases norte-americanas no estrangeiro não são ocupação: são serviços de "protecção" pagos pelos ocupados

2019-03-16

Manlio Dinucci, Il Manifesto/O Lado Oculto

Os Estados Unidos deixaram de considerar os seus aliados como protectorados. Em conformidade, pedem-lhes agora que paguem as despesas de protecção; se não o fizerem, eles retiram-se. Foi isto que o presidente Trump anunciou em 17 de Janeiro no Pentágono, que foi apresentado à NATO em Fevereiro e só agora foi tornado público. A decisão aplica-se a todos os aliados, do Japão à Alemanha. O problema é que os Estados Unidos exigem aos aliados que alinhem pelas suas posições … como acontecia enquanto protectorados.

Não há como a Mafia para exigir uma recompensa em troca de “protecção”. “Os países ricos que protegemos” – preveniu o presidente Donald Trump, com modos ameaçadores, num discurso feito no Pentágono – “ficam todos avisados: têm de pagar pela nossa protecção”.
O presidente Trump – revela a agência Bloomberg – vai apresentar o plano “Custos Mais 50”, que prevê os seguintes critérios: os países que alojam forças militares norte-americanas nos seus territórios deverão cobrir integralmente os custos e pagar aos Estados Unidos um suplemento de 50%, em troca do “privilégio” de as acolher e serem, deste modo, “protegidos” por elas.
O plano prevê que os países hospedeiros paguem também os salários dos militares norte-americanos e as despesas de gestão com os aviões e os navios de guerra que os Estados Unidos mantêm nesses países. Deste modo, a título de exemplo, a Itália terá de pagar não apenas os salários de cerca de 12 mil militares norte-americanos instalados no país mas também os custos com a gestão dos caças F-16 e outros aviões colocados pelos Estados Unidos em Aviano e Signonella; além das despesas da Sexta Esquadra, ancorada em Gaeta. Segundo o mesmo critério, a Itália deverá também pagar a administração de Camp Darby, o maior arsenal norte-americano fora do território nacional e a manutenção das bombas nucleares dos Estados Unidos armazenadas em Aviano e Ghedi.

Uma factura que crescerá 600%

Desconhece-se quanto tencionam os Estados Unidos pedir à Itália e a outros países europeus que alojem as suas forças militares, pois não se sabe igualmente quanto esses países pagam actualmente. Estes dados são cobertos pelos segredos de Defesa. Segundo um estudo da Rand Corporation, os países europeus da NATO têm a seu cargo uma média de 34% das despesas das forças e bases dos Estados Unidos nos seus territórios. Mas não se conhece o montante anual que pagam a Washington: o único cálculo existente – 2500 milhões de dólares – data de há 17 anos.
O valor pago pela Itália também é secreto. Conhecem-se apenas algumas rubricas: por exemplo, dezenas de milhões de euros para adaptar os aeroportos de Aviano e Ghedi aos caças norte-americanos F-35 e às novas bombas nucleares B61-12 que os Estados Unidos começarão a instalar em 2020; e cerca de 100 milhões de euros para as obras na base aeronaval de Sigonella, também a cargo de Itália. Em Sigonella, apenas a área administrativa e de gestão é exclusivamente financiada pelos Estados Unidos; os departamentos operacionais, e por isso os mais dispendiosos, são financiados pela NATO, isto é, também pela Itália.
De qualquer maneira, pode dar-se como certo – prevê um investigador da Rand Corp. – que com o plano “Custos Mais 50” as despesas dos aliados “vão subir em flecha”. Fala-se num aumento de 600%, que se somarão aos gastos militares, que em Itália ascendem a 70 milhões de euros por dia, condenados a subir até 100 milhões, segundo os compromissos assumidos pelos governos italianos na NATO.
Trata-se de dinheiro público, que sai dos bolsos dos contribuintes, retirado aos investimentos produtivos e às despesas sociais. Mas é possível que a Itália possa pagar menos pelas forças e as bases norte-americanas instaladas no seu território. O Plano “Custos Mais 50” prevê, com efeito, “um reembolso por bom comportamento” dos “aliados que se alinhem rigorosamente com os Estados Unidos e que façam o que lhes for pedido”.
Estamos seguros de que a Itália irá beneficiar de um amplo reembolso porque, de governo em governo, o país sempre seguiu a esteira dos Estados Unidos. Ultimamente, enviando tropas e aviões de guerra para o Leste da Europa, com o pretexto de conter “a ameaça russa”; e favorecendo o plano norte-americano de enterro do Tratado INF para colocar na Europa, incluindo em Itália, silos de mísseis nucleares apontados contra a Rússia.
Uma vez que estes são alvos de possíveis represálias, teremos necessidade da “protecção” de mais forças e bases dos Estados Unidos. Que teremos de pagar, mas sempre com reembolsos.


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