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GOLPE ESCONDIDO COM TUDO DE FORA

A Bolívia já tem o seu Guaidó. Aliás, uma. Chama-se Jeanine Añez e autoproclamou-se presidente da República depois de se autoproclamar presidente do Senado numa sessão sem quórum. Diz-se que tudo decorreu segundo a Constituição. Diz-se até que todo o golpe que destituiu o presidente eleito com mais de 47% dos votos, Evo Morales, foi “de acordo com a Constituição” e em nome da “democracia”. Portanto, o golpe não foi um golpe, apesar do terrorismo e dos pronunciamentos militares, porque deu os resultados que os “democratas” pretendiam: para já, entronizar uma usurpadora.

CONTEXTOS DE UM GOLPE ANUNCIADO

Década e meia de gestão presidencial de Evo Morales catapultou o PIB da Bolívia de cinco mil milhões de dólares para mais de 40 mil milhões, isto é, multiplicou-o por oito vezes. A miséria extrema desceu a pique de quase 80% da população para menos de 15 por cento. O crescimento económico anual estabilizou nos quatro por cento. O sistema político colonial transformou-se num Estado plurinacional, as mulheres e os povos indígenas conquistaram as vozes que não tiveram em 500 anos. O regime neoliberal globalista ficou fora de jogo na Bolívia, onde os recursos naturais foram postos ao serviço das populações. Há coisas que o imperialismo e a sua casa mãe, os Estados Unidos da América, não conseguem perdoar no “quintal das traseiras”. Mais cinco anos de espera, pelo menos, não podiam acontecer. Então chegou o golpe.

GANHOU EVO, GANHOU A BOLÍVIA!

Evo Morales foi reeleito presidente da Bolívia e o seu partido, o Movimento para o Socialismo (MAS), conquistou as maiorias absolutas na Câmara dos Deputados e no Senado. A vitória presidencial foi conquistada na primeira volta, pois Morales teve mais de 40% dos votos e uma vantagem superior a 10 pontos percentuais (10,1) sobre o seu principal rival, uma das condições exigidas pelas leis bolivianas. A oposição, que se diz democrática, recusa-se a aceitar os resultados, como acontece normalmente num quadro onde estão sempre presentes as pressões golpistas dos Estados Unidos.

UNIÃO EUROPEIA, 7 – MERCOSUL, 1

Bastaram alguns meses de rendição para inutilizar 20 anos de soberania. Uma União Europeia exultante moveu o espírito colonial para alcançar um "acordo comercial" em que arrasa o Mercosul, tirando proveito da falta de dignidade dos principais dirigentes deste bloco.

“AGRESSÃO HUMANITÁRIA” – NOVO CONCEITO, VELHAS PRÁTICAS

"Ajuda humanitária" é uma forma recente de aplicar a velha estratégia de cinismo de quem explora condições difíceis para seres humanos para delas tirar proveito por interesses próprios. Entre os anos trinta do século passado, como já sublinhava Bento de Jesus Caraça, e as provocações ocorridas nestes dias nas fronteiras da Venezuela, não passou assim tanto tempo e os métodos apenas refinaram na propaganda.

PARA SABER TUDO SOBRE O GOLPISTA JUAN GUAIDÓ

Formou-se em "revoluções coloridas" e "mudanças de governo" numa escola sérvia de terrorismo patrocinada pelos Estados Unidos; integrou a "Geração 2007", elite desestabilizadora venezuelana paga por Washington; fez estágios nas arruaças sangrentas e assassinas de 2014 e 2017 chamadas "guarimbas"; a sua carreira foi relativamente discreta até se proclamar "presidente" da Assembleia Nacional e da Venezuela depois de ter recebido um telefonema do vice-presidente dos Estados Unidos, não tendo sido eleito para qualquer dos lugares. É o escolhido por Trump para administrar, a rogo, as maiores reservas petrolíferas mundiais; e, por inerência subserviente ao mesmo Trump, é também o escolhido pela União Europeia e pelo governo de Portugal para "presidente legítimo" da Venezuela e "restaurar a democracia" no país. Conheça Juan Gaidó, o golpista venezuelano que o mundo "civilizado" e a fina flor dos media fast news veneram sem verdadeiramente curarem de saber quem é.

ABRAMS: “RESTABELECER DEMOCRACIAS” É COM ELE

Se o objectivo é "restabelecer a democracia" na Venezuela, Trump e os seus falcões não poderiam ter escolhido melhor para assessorar o presidente "interino", Juan Guaidó, nesta tarefa. Elliot Abrams, o eleito, traz com ele um vasto currículo de 40 anos de experiência em golpes, conspirações, montagem de esquadrões da morte e operações terroristas, assassínios, acções clandestinas e guerras civis, sobretudo na América Latina - mas também no Médio Oriente. Não lhe falta sequer a experiência de ter tentado um primeiro golpe na Venezuela, em 2002, contra Hugo Chávez. "Restaurar a democracia"? O homem certo no lugar certo. Como o governo português sabe, por certo.

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