O Lado Oculto é uma publicação livre e independente. As opiniões manifestadas pelos colaboradores não vinculam os membros do Colectivo Redactorial, entidade que define a linha informativa.

EXÉRCITO DE MERCENÁRIOS AMEAÇA A VENEZUELA

2019-05-04

Zero Hedge/ adaptação O Lado Oculto

Como se os últimos meses de pressão dos Estados Unidos para mudança de governo na Venezuela não fossem suficientemente bizarros, com figuras do jaez de Elliott Abrams, do escândalo Irão-Contras, à cabeça, acaba de surgir um plano de guerra privada montado por Erik Prince, fundador da famigerada empresa Blackwater. Prince propôs a Washington a privatização de um golpe de Estado na Venezuela com base no seu novo império mercenário, também inspirado na Blackwater.

Segundo a agência Reuters, Erik Prince, irmão da bilionária Betsy DeVos, secretária da Educação do governo Trump – e ambos associados à organização fundamentalista católica Opus Dei - pretende “implantar um exército privado para ajudar a derrubar o presidente socialista da Venezuela, Nicolás Maduro. Durante os últimos anos, Prince vendeu o grupo Blackwater (agora designado Academi) e reconstituiu o seu império mercenário em Hong-Kong, designado Frontier Services Group* (FSG).

Como suporte das suas informações, a Reuters cita várias fontes próprias segundo as quais Prince apresentou a algumas autoridades da Administração Trump a ideia de montar uma operação envolvendo cerca de cinco mil soldados contratados para serem utilizados pelo chefe da oposição em Caracas, Juan Guaidó. O controverso CEO do sector da segurança privada, que inclui a constituição de exércitos de mercenários já usados em várias guerras promovidas pelos Estados Unidos, procurou investidores entre os apoiantes de Donald Trump, exilados venezuelanos milionários e dinamizou reuniões sobre o assunto em meados de Abril.

Desmentidos inconsequentes

Nem a Casa Branca nem os sectores afectos a Guaidó confirmaram a existência deste plano; estes últimos negaram até que tenham falado com Prince ou directores da FSG.

No entanto, as fontes da Reuters descreveram da seguinte maneira alguns pormenores do plano proposto por Prince para a Venezuela:

“Duas das fontes com acesso directo ao projecto de Prince disseram que a implementação do plano inicia-se com operações inteligência, às quais se seguirá a implantação de quatro a cinco mil mercenários contratados na Colômbia e em outros países latino-americanos, encarregados de efectuar operações de combate e estabilização”.

Talvez o dado mais interessante seja a necessidade de existir aquilo a que Prince chama um “evento dinâmico”:

“Um dos principais prontos do projecto de Prince, segundo uma fonte, é o de que a Venezuela necessita daquilo a que chama ‘evento dinâmico’ para romper o impasse que existe desde Janeiro quando Guaidó – o chefe da Assembleia Nacional – invocou a Constituição para assumir a ‘presidência interina’”.

Prince esteve em destaque em 2017, quando pressionou a Administração Trump a usar contratistas privados para “estabilizar” o Médio Oriente.

No ano passado voltou a ascender às manchetes ao lançar a ideia de privatizar as guerras no Afeganistão e na Síria; a proposta não encontrou imediatamente eco entre os funcionários governamentais, mas existem indicadores de que Trump ficou aberto à iniciativa.

Poderá acontecer na Venezuela uma ocupação mercenária ao estilo do Iraque? Erik Prince espera que sim...

Para escândalo de alguns e surpresa de muitos, uma filial da Frontier Services Group foi autorizada a operar no Iraque mesmo depois de Prince e a sua Blackwater terem sido formalmente impedidos de entrar no país pelo governo iraquiano, devido ao massacre da Praça Nissur, em 2007.

Em relação à Venezuela, as ideias de Prince apoiam-se na desestabilização permanente que tem vindo a ser concretizada devido à degradação económica provocada pelas sanções, às acções em torno de uma “emergência humanitária” e também aos boatos sobre supostas deserções de membros das forças armadas para apoiar Guaidó. 

*Empresa privada criada à imagem de outros exércitos de mercenários, como a Blackwater, com sede em Hong Kong e que tem operado como companhia de segurança das actividades de empresas chinesas em África



Mais notícias...

Iniciar sessão

Recuperar password

goto top