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O DESPERTAR DOS POVOS

A paz podre do neoliberalismo globalizante e o conformismo social que lhe corresponde estão a ser sacudidos através do mundo. Nas urnas e nas ruas – as duas frentes são democraticamente legítimas e complementares – os povos dão sinais de que a sonolência hipnótica induzida pelo entertainment mediático em que se transformou tudo o que tem a ver com a vida das pessoas é uma arma que também se desgasta, desmascara e vai perdendo eficácia. Uma faúlha representada por um aumento de preços, um corte de subsídios sociais, o lançamento de mais um imposto tornaram-se agora susceptíveis de provocar grandes e vibrantes explosões sociais. A arbitrariedade e a impunidade do sistema dominante começam a encontrar barreiras humanas.

CATALUNHA NAS RUAS, ESPANHA À DERIVA

A revolta catalã contra a prisão de importantes dirigentes independentistas decidida por um tribunal central de Madrid não se detém. A informação mainstream tenta esconder a questão central – a recusa em escutar a opinião dos cidadãos da Catalunha livremente expressa – empolando os actos de violência que contrariam a vontade dos detidos e servem os interesses de Madrid. Enquanto estes actos são protagonizados por reduzidos grupos organizados e pelos brutais serviços de repressão, foram 700 mil os catalães que sexta-feira convergiram em Barcelona reclamando o direito democrático de terem opinião sobre a independência ou não do seu país. Em Madrid, os principais dirigentes políticos multiplicam acusações e ameaças, mas não apresentam propostas.

REPRESSÃO NÃO SUFOCA A CATALUNHA

Uma homenagem aos presos políticos catalães, em especial ao ex-vice-presidente do governo autonómico e presidente da Esquerda Republicana (ERC), Oriol Junqueras, que o autor considera exemplo de honestidade, carácter e das práticas democráticas. “Com Junqueras atrás das grades o independentismo não se apaga, pelo contrário, cresce, reaviva-se e não há artigo 155 capaz de sufocá-lo”, escreve.

ESTADO ESPANHOL APRISIONA A CATALUNHA POR “SEDIÇÃO”

O Supremo Tribunal do Estado monárquico espanhol condenou a penas entre nove e 13 anos de prisão e perda dos direitos políticos, por “sedição”, nove dos 12 dirigentes independentistas catalães considerados a “cúpula” do movimento pela independência da Catalunha. Os três acusados não abrangidos pelas penas de detenção foram condenados a pesadas multas. A justiça espanhola reactivou, entretanto, o mandado de captura europeu contra o ex-presidente do governo catalão (Generalitat), Jordi Puigdemont. De Bruxelas, Puigdemont reagiu dizendo que “vamos responder com mais força do que nunca”.

FRANQUISMO ESTÁ DE VOLTA À ANDALUZIA

Três correntes oriundas do velho franquismo e agora reunidas no suporte ao regime económico neoliberal formam o novo governo autonómico da Andaluzia, em Espanha: Partido Popular (PP), Ciudadanos e Vox. O acordo foi encontrado e permite juntar em Sevilha formações do Partido Popular Europeu, da irmandade do Em Marche de Macron e dos fascistas de Steve Bannon na aplicação de políticas xenófobas e cerceadoras de direitos. Também sob o alto patrocínio da oposição terrorista iraniana, a crer no diário El País.

MANUEL VALLS: UM EXEMPLO DE POLÍTICO AMBULANTE

De primeiro ministro de um governo socialista francês a candidato à Câmara de Barcelona em confraternização com "nostálgicos do franquismo". Manuel Valls é um político ambulante de ideias e lugares.

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