O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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NEGACIONISMO E “CAPITALISMO VERDE” SÃO AMBOS INIMIGOS DO AMBIENTE

Perante o cenário catastrófico que se anuncia como consequência do aquecimento global, os poderes fácticos do capitalismo internacional oscilam entre duas estratégias: uma campanha de negação das provas científicas que pretende apresentá-las como uma “ideologia”; e uma estratégia de promoção de um “capitalismo verde” ou “sustentável” que promove acordos internacionais que não passam de farsas e promove uma reconversão parcial e limitada dos sistemas produtivos enquanto fortalece o modelo de acumulação e exploração capitalista.

O RACISMO VEM NO PACOTE DO CAPITALISMO

A explosão social em curso nos Estados Unidos na sequência da execução policial e extrajudicial de George Floyd não é nova num país que nasceu do massacre organizado e sistemáticos dos povos indígenas do seu território. É a revolta de oprimidos, explorados, discriminados e excluídos por um sistema que não sabe – nem pode – funcionar de outra maneira: com base na violência e na intimidação.

A PANDEMIA É O EUROMILHÕES DOS RICOS ENTRE OS RICOS

A Declaração Universal dos Direitos Humanos parece uma longínqua referência e as violações em massa são paralelas à expansão do vírus da COVID-19. O presidente Trump humilha a Organização Mundial de Saúde, ameaça-a e desqualifica-a enquanto os outros órgãos da ONU empalidecem para evitar ficar contagiados com o mesmo mal que a atinge: o desprezo dos mais poderosos. Milhões de seres humanos anseiam por água, comida, tecto e saúde. Na educação, enormes massas de jovens entram em deserção por falta de conectividade, os empregos estáveis caíram em areias movediças, a precariedade e a informalidade laboral atingem números aterradores. A maquilhagem das informações económicas de êxito e associadas a supostas escalas de igualdade social extingue-se perante a realidade desigual que o vírus destapou.

O EURO ENTRE A VIDA E A MORTE

O euro, a moeda única, está entre a vida e a morte. Uma sentença do Tribunal Constitucional Alemão adoptada em 5 de Maio veio tornar frontais e irredutíveis as divergências no interior da Zona Euro e que implicam com os mecanismos possíveis de ajuda aos Estados membros para combater a crise económica decorrente da pandemia do COVID-19. Como a seguir se explica, a situação resultante da sentença do Tribunal criou um quadro no qual ou a Alemanha sai do euro ou as suas posições ditadas constitucionalmente têm ganho de causa no Banco Central Europeu – terminando com as compras de dívida dos Estados membros. Mas se isto acontecer, países como França e a Itália terão de por em causa a continuidade no euro porque as suas economias não sobrevivem sem as compras de dívida e os mecanismos (não assumidos) de financiamento monetário através do BCE. O euro, tal como o conhecemos, está entre a vida e a morte.

A GUERRA DÁ-SE BEM COM A PANDEMIA

A economia desmoronou-se. Uma pandemia que através dos Estados Unidos matou até agora (oficialmente) mais de 87 mil pessoas também já provocou cerca de 36 milhões de pedidos de seguro de desemprego e faz milhões de pessoas recorrer aos bancos alimentares pela primeira vez. Apesar disso, os negócios estão a prosperar num sector improvável: os fabricantes de armas estão mais ocupados do que nunca e multiplicam anúncios procurando dezenas de milhares de trabalhadores.

CHINA REAGE E ENFRENTA AS AMEAÇAS

Enfrentada a crise do novo coronavírus na província de Hubei, especialmente em Wuhan, a China reanima decididamente as actividades económicas e sociais tendo também em consideração que está a ser vítima de uma concentração de ataques norte-americanos e ocidentais para conter o país como potência emergente. Pequim reage procedendo à restauração das próprias forças e também no âmbito da parceria estratégica com a Rússia, que adquire novas valências. O mundo está em mudança.

A CRISE DO SECTOR DA AVIAÇÃO

Depois de anos a distorcer o mercado da aviação com a sua política de preços nominalmente baixos, mas cobrando fortemente por tudo o que não seja o simples lugar apertado a bordo do aparelho, as companhias ditas de baixo-custo (low cost) preparam-se para fazer os seus trabalhadores suportar o preço das medidas de restrição às viagens impostas por necessidades de saúde pública. Isto apesar de elevadas ajudas recebidas do Estado ao longo da última década.

COVID-19 ENGORDA AS FORTUNAS DOS SUPER-RICOS

Um novo relatório do Instituto de Estudos Políticos dos Estados Unidos revela que enquanto dezenas de milhões de norte-americanos estão a perder os seus empregos como consequência da pandemia do novo coronavírus a elite dos super-ricos do país aumentou o seu património líquido em 282 mil milhões de dólares em apenas 23 dias. Isto acontece apesar de as previsões económicas admitirem uma contracção de 40% no trimestre em curso.

O NEOLIBERALISMO CAVALGA O VÍRUS

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, pronunciou uma sentença em poucas palavras que vale mais que mil imagens: “A Organização Mundial de Saúde existe para proteger a saúde das pessoas; o FMI existe para proteger a saúde da economia mundial”. Ficamos avisados: ai dos povos cujos dirigentes resolverem combater o cataclismo económico gerado pelo novo coronavírus recorrendo às bem conhecidas “ajudas” do FMI e das suas extensões troikianas para consumo interno da União Europeia!

O VÍRUS COMO INSTRUMENTO DO BIG BROTHER GLOBAL

A pandemia de COVID-19 é mais que um “cisne negro” (um facto inesperado, pouco frequente). A pandemia certamente passará, mas a crise ficará – a social, a económica, a política – significando um mundo diferente que nem os mais ousados cientistas sociais e politólogos podem imaginar, com uma estimativa de mais de três mil milhões de desempregados.

A BANALIZAÇÃO DA EXCEPÇÃO

Se há domínio onde a futurologia está avançada, tocando mesmo o nível zero de erro, é o das pandemias virais. O Event 201, realizado em Outubro de 2019 em Nova York, antecipou apenas em dois meses o terrível mergulho no desconhecido que estamos a viver. É certo que a vocação assassina do coronavírus parece pecar por escassa em relação às previsões dos adivinhos – 65 milhões de mortos - mas já iremos perceber que a componente de pânico tem papel reservado nestas matérias. Porém, ao cabo de uma década de sucessivas “antecipações científicas”, de que o Event 201 foi a etapa mais recente, há que dar relevo ao acontecimento fundador destes exercícios visionários, datado de 2010 e que revela um realismo gritante. Sobretudo na vertente que começa a ganhar forma à escala global: a imposição do autoritarismo ou a vulgarização do excepcionalismo.

”AJUDAS” DA UE : ITÁLIA NA MIRA DO CAVALO DE TROIKA

Chegaram, viram – e foram vencidos. Os países do Sul da Europa, comandados por Itália e Espanha e com uma ajuda informal de França, perderam mais uma batalha no Eurogrupo frente aos seus vizinhos do Norte. Esta é a realidade da prolongada reunião que antecedeu a Páscoa e que continuou a ser dominada pela Alemanha – por muito que este país tenha tentado manter-se discreto.

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