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O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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BOLTON: TRUMP CONSIDERA VENEZUELA “PARTE DOS ESTADOS UNIDOS”

John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos entre Abril de 2018 e Setembro de 2019, acaba de lançar sobre a Casa Branca uma bomba cujos estilhaços podem acarretar efeitos devastadores neste final de mandato do presidente Donald Trump, comprometendo não só diferentes aspectos da política doméstica, como principalmente as relações externas daquela que, embora decadente, ainda é a maior superpotência do mundo.

VINGANÇA DA DERROTA: WASHINGTON E BRUXELAS CONDENAM POVO SÍRIO À FOME

Incapazes de vencer a guerra de agressão lançada há já nove anos contra a Síria, os Estados Unidos e a União Europeia têm vindo a confirmar, durante as últimas semanas, a sua mudança de estratégia para tentar colocar em Damasco os seus servidores: impor a fome ao povo sírio em cima da pandemia de COVID-19 e provocar uma explosão social interna.

O RACISMO VEM NO PACOTE DO CAPITALISMO

A explosão social em curso nos Estados Unidos na sequência da execução policial e extrajudicial de George Floyd não é nova num país que nasceu do massacre organizado e sistemáticos dos povos indígenas do seu território. É a revolta de oprimidos, explorados, discriminados e excluídos por um sistema que não sabe – nem pode – funcionar de outra maneira: com base na violência e na intimidação.

DOS CÉUS ABERTOS À ABERTURA DA ÉPOCA NUCLEAR

Outro tratado para travar a guerra morde o pó da derrota. Em menos de dois anos, o presidente Donald Trump já proibiu três grandes tratados de controlo de armamento – um recorde no acto de minar décadas de construção de uma arquitectura internacional de segurança. Primeiro foi o acordo nuclear com o Irão (2018), depois o Tratado de Forças Nucleares de Médio Alcance (INF, 2019) e agora o Tratado Céus Abertos.

GRATIDÃO ITALIANA AOS MÉDICOS CUBANOS: “AJUDARAM-NOS SEM PEDIR NADA”

“Tínhamos naufragado e vocês socorreram-nos sem nos perguntar sequer o nome e a origem”. Stefania Bonaldi, presidente do Município italiano de Crena, na província de Cremona, região italiana da Lombardia”, manifestou assim em 25 de Maio, a gratidão e apreço aos médicos e enfermeiros cubanos da Brigada “Henry Reeve” que durante semanas ajudaram no dramático combate ao coronavírus na martirizada zona. “Vencemos porque funcionámos em comunidade”, demonstrando que “as grandes batalhas não são ganhas por heróis solitários”, disse. Estendendo o agradecimento “ao povo cubano” perante as autoridades civis e religiosas da região, Stefania Baldini sublinhou que os médicos e enfermeiros cubanos foram “uma presença discreta mas eficaz, respeitosa mas determinada, calma mas confiante”. Crema, a Itália, no fundo os países da Europa continuam à espera dos prometidos e incertos milhões de “ajuda de emergência” da União Europeia, que se fazem esperar embrulhados em exigências directas e também disfarçadas.

O CONTRATO ENTRE GUAIDÓ E OS SEUS MERCENÁRIOS PARA MATAR MADURO

Tomar o aeroporto de Caracas, capturar o presidente Nicolás Maduro com o objectivo de o enviar para os Estados Unidos – ou matá-lo, em alternativa – era o objectivo principal da operação terrorista de 3 de Maio contra a Venezuela, de acordo com as confissões dos mercenários – entre eles dois ex-membros das forças especiais dos Estados Unidos – capturados na ocasião. A acção está expressa como “objectivo principal” no contrato estabelecido entre o chefe fascista Juan Guaidó, auto-intitulado “presidente interino”, e a empresa de mercenários Silvercorp, da Florida, igualmente prestadora de serviços ao actual presidente dos Estados Unidos. Conheça os meandros do contrato e os métodos de gestão pretendidos por Guaidó, o “presidente” da Venezuela reconhecido por numerosos países da União Europeia, entre os quais o governo da República Portuguesa.

AS MÃOS DE TRUMP NA INVASÃO FALHADA DA VENEZUELA

Já lhe chamam a “segunda Baía dos Porcos”, a falhada incursão militar norte-americana em Playa Girón, Cuba, em Abril de 1961. Quase 60 anos depois a cena repetiu-se, com o mesmo desfecho, agora na praia de Macuto nas costas da Venezuela soberana e independente. Mercenários com ligações comprovadas com a administração Trump e a oposição terrorista venezuelana – reconhecida como “legítima” por Portugal e outros países da União Europeia – tentaram uma agressão militar para lançar o caos no país, assassinar o presidente Nicolás Maduro e mudar o governo. Falharam e os sobreviventes são agora como um livro aberto onde as personagens são Trump, Guaidó, os suspeitos do costume.

VÍRUS E SANÇÕES COMO ARMAS DE GUERRA

Imaginemos que os países poriam de lado as suas diferenças para montar uma campanha internacional eficaz contra a pandemia de COVID-19. Que deixassem de se agredir para combater o vírus. Que em vez de manterem porta-aviões navegando pelo mundo, em demonstrações de força, competiriam para apurar qual deles poderia fornecer mais máscaras faciais e ventiladores. Não acham que isto seria terrível? Um sinal de uma nova e perigosa ameaça?

AS AJUDAS DE CUBA SÃO ESCONDIDAS AO MUNDO

A epidemia de COVID-19 mostra-nos o completo fracasso das políticas neoliberais em todo o mundo: a trágica situação em Itália, Espanha, França e Estados Unidos – actualmente os mais afectados – deve-se principalmente a décadas de políticas de austeridade e cortes nos serviços públicos de saúde.

ITÁLIA ENTREGA-SE À “ASSISTÊNCIA” DE TRUMP

O governo italiano de Giuseppe Conte fez a sua escolha: sabendo que não pode contar com a “solidariedade” de uma União Europeia sem rei nem roque e onde a economia é sempre mais importante que as pessoas; e enquanto vai aproveitando as ajudas russa, chinesa e cubana acabou por pedir “assistência” a Donald Trump. Que não se fez rogado, faltando conhecer quanto e como os italianos irão pagar em troca.

A TRAGÉDIA DO IMPÉRIO: FALTA EM SAÚDE O QUE SOBRA EM GUERRA

Utilizar sacos de plástico como luvas, acessórios de natação para protecção ocular, gazes e fraldas como máscaras, contentores frigoríficos como necrotérios estacionados em frente dos hospitais, valas comuns para enterrar os corpos. Estas são algumas das respostas das autoridades nos Estados Unidos perante o surto de coronavírus. Linha de frente no combate à pandemia, trabalhadores da saúde relatam, num misto de medo e indignação, cortes de salários, suspensão e modificação de contratos, jornadas de até 16 horas, falta de materiais de protecção à contaminação, esgotamento emocional e muita, muita raiva. “Sentimos-mos como ovelhas a caminho do matadouro”, relata uma médica de Nova York[1].

TRUMP “ENGANOU-SE”: É A COLÔMBIA, NÃO A VENEZUELA

Trump, com os seus parceiros francês e britânico, sob os auspícios da NATO, estão a montar um circo de guerra contra a Venezuela a pretexto de uma “operação contra o narcotráfico” alegadamente praticado sobretudo pelo governo de Caracas, com o presidente Maduro à cabeça. Porém, segundo os relatórios da agência antidroga dos Estados Unidos, a DEA, a Colômbia é o responsável, praticamente monopolista, pelo tráfico de cocaína na região; e a Venezuela não surge sequer na lista dos países envolvidos.

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