O LADO OCULTO - Jornal Digital de Informação Internacional | Director: José Goulão

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CAÇA AOS DADOS PESSOAIS, O DESPORTO DA PANDEMIA

A caça aos dados pessoais e a imaginação inventiva em torno dos métodos para os obter desenvolvem-se em paralelo com o combate ao coronavírus e como panaceia para acabar com a pandemia. Raro é o governo ou a união de governos que não associe a guerra ao vírus ao conhecimento dos dados dos sistemas de saúde e à necessidade de seguir os cidadãos, de preferência digitalmente, a pretexto de detectar os seus contactos com infectados. Não há dia em que a Comissão Europeia não fale nisso. Como exemplo muito concreto, já em andamento, deixamos nota do assalto dos serviços britânicos de espionagem aos sistemas de dados do Serviço Nacional de Saúde.

A CRISE DO SECTOR DA AVIAÇÃO

Depois de anos a distorcer o mercado da aviação com a sua política de preços nominalmente baixos, mas cobrando fortemente por tudo o que não seja o simples lugar apertado a bordo do aparelho, as companhias ditas de baixo-custo (low cost) preparam-se para fazer os seus trabalhadores suportar o preço das medidas de restrição às viagens impostas por necessidades de saúde pública. Isto apesar de elevadas ajudas recebidas do Estado ao longo da última década.

O NEOLIBERALISMO CAVALGA O VÍRUS

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, pronunciou uma sentença em poucas palavras que vale mais que mil imagens: “A Organização Mundial de Saúde existe para proteger a saúde das pessoas; o FMI existe para proteger a saúde da economia mundial”. Ficamos avisados: ai dos povos cujos dirigentes resolverem combater o cataclismo económico gerado pelo novo coronavírus recorrendo às bem conhecidas “ajudas” do FMI e das suas extensões troikianas para consumo interno da União Europeia!

O VÍRUS COMO INSTRUMENTO DO BIG BROTHER GLOBAL

A pandemia de COVID-19 é mais que um “cisne negro” (um facto inesperado, pouco frequente). A pandemia certamente passará, mas a crise ficará – a social, a económica, a política – significando um mundo diferente que nem os mais ousados cientistas sociais e politólogos podem imaginar, com uma estimativa de mais de três mil milhões de desempregados.

BATALHAS IDEOLÓGICAS NA PANDEMIA

No momento em que se procede à redacção deste texto, o impacte da pandemia de COVID-19 cifra-se em três milhões de infectados a nível mundial, sendo um milhão deles nos Estados Unidos, país que regista já mais de 55 mil mortes atribuídas ao novo coronavírus, havendo ainda aquelas que não foram contabilizadas e as que se deveram à estratégia de diversionismo mediático de Donald Trump (como foi a de sugerir publicamente a administração de desinfectantes como remédio...). Permanecem desconhecidas as origens do novo coronavírus, mas são reveladoras as políticas adoptadas diferenciadamente por diversos países e já visíveis as suas consequências.

O QUE SABE A ESPIONAGEM DE WASHINGTON SOBRE O “VÍRUS DE WUHAN”?

Segundo uma notícia da televisão ABC News, reforçada posteriormente pelos serviços secretos israelitas, a espionagem militar dos Estados Unidos tinha conhecimento, em meados de Novembro de 2019, de um “acontecimento epidémico catastrófico” em Wuhan. O Pentágono continua, porém, a ser ambíguo quanto ao conteúdo ou mesmo à existência ou não de um documento sobre essa matéria. O episódio permite, porém, levantar importantes perguntas: se autoridades de Washington sabiam da “catástrofe” em meados de Novembro porque não se prepararam a tempo para ela e culpam a China de a ter “escondido”? Como sabe a espionagem norte-americana de factos que só vieram a ser conhecidos por médicos chineses de Wuhan mais de um mês depois, na segunda metade de Dezembro? Será que os Estados Unidos “adivinharam” o COVID-19 e os seus efeitos bastante antes de ele ter sido identificado?

“INJECÇÕES” DE TRUMP PROVOCAM ALARME

As recentes declarações de Donald Trump alvitrando que as pessoas podem tomar injecções de desinfectante contra o novo coronavírus geraram elevada preocupação e provocaram uma intensa campanha de esclarecimento contra os elevados riscos de tal procedimento.

SEM SALVAR A ÁGUA NÃO HAVERÁ SAÚDE GLOBAL

Começa a anoitecer. Hoje morreram mais de 21 mil crianças com menos de cinco anos no mundo inteiro — são 7,9 milhões por ano. Entre os principais motivos estão as doenças causadas pela falta de água potável, por um saneamento inadequado ou pelo consumo de água poluída. Há muitos anos que as emergências de saúde relacionadas com a água preocupam muita gente, mas os grupos dominantes, aqueles que têm o poder de decidir, não parecem considerar essencial e urgente tomar medidas para mudar a situação.

A BANALIZAÇÃO DA EXCEPÇÃO

Se há domínio onde a futurologia está avançada, tocando mesmo o nível zero de erro, é o das pandemias virais. O Event 201, realizado em Outubro de 2019 em Nova York, antecipou apenas em dois meses o terrível mergulho no desconhecido que estamos a viver. É certo que a vocação assassina do coronavírus parece pecar por escassa em relação às previsões dos adivinhos – 65 milhões de mortos - mas já iremos perceber que a componente de pânico tem papel reservado nestas matérias. Porém, ao cabo de uma década de sucessivas “antecipações científicas”, de que o Event 201 foi a etapa mais recente, há que dar relevo ao acontecimento fundador destes exercícios visionários, datado de 2010 e que revela um realismo gritante. Sobretudo na vertente que começa a ganhar forma à escala global: a imposição do autoritarismo ou a vulgarização do excepcionalismo.

VÍRUS E SANÇÕES COMO ARMAS DE GUERRA

Imaginemos que os países poriam de lado as suas diferenças para montar uma campanha internacional eficaz contra a pandemia de COVID-19. Que deixassem de se agredir para combater o vírus. Que em vez de manterem porta-aviões navegando pelo mundo, em demonstrações de força, competiriam para apurar qual deles poderia fornecer mais máscaras faciais e ventiladores. Não acham que isto seria terrível? Um sinal de uma nova e perigosa ameaça?

UMA CRISE ANUNCIADA, COM PADRÃO HABITUAL

A guerra comercial contra a China, o isolamento económico crescente dos Estados Unidos, os recursos astronómicos desviados da economia para guerras infindáveis como a do Afeganistão, a ocupação do Iraque, a desestabilização da Líbia e outras, as lentas mas inexoráveis consequências da delapidação da Natureza e dos seus recursos, o empobrecimento das classes médias ocidentais, a destruição dos sistemas de segurança social e de saúde dos países europeus e latino-americanos pelas políticas de austeridade, a especulação financeira e imobiliária dos últimos anos, criaram um palco propício ao desencadear de uma crise económica de grande magnitude ao menor abalo.

COVID-19 NÃO TEM COR MAS DISCRIMINA

Uma Carta Aberta recentemente publicada pelo “Público” e subscrita por mais de trezentas pessoas e dezenas de organizações locais vem alertar para o desproporcionado perigo de vida a que as políticas governamentais têm exposto as comunidades negra, cigana e as pessoas mais pobres e vulneráveis; estas pessoas – “são as invisíveis do sistema: sem documentos, sem casa ou habitação digna ou que estão confinadas em prisões, centros educativos, de detenção e de acolhimento. São também quem trabalha sem contrato e quem não tem meios para trabalhar e estudar à distância”.

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