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BILDERBERG, O TERRORISMO E OS COMPLOTS

Kissinger e Pompeo entrando no conclave em Montreux. Seguindo os bons costumes da "transparência", o secretário de Estado norte-americano não figurava na lista oficial de participantes.

2019-06-07

A reunião deste ano do Grupo de Bilderberg já lá vai, deixando o seu rasto de conspiração e uma renovada capacidade de manipulação e manobrismo aos convidados* – aos formandos, melhor dizendo. Alguns já arremetem, de caneta aguçada, contra “lendas” e “complots”, mas fingindo-se inocentes perante o papel sujo e sangrento que promotores e participantes de Bilderberg têm em relação ao terrorismo.

Manlio Dinucci, Il Manifesto/O Lado Oculto 

Três italianos foram convidados este ano para a reunião do Grupo de Bilderberg que se realizou em Montreux, Suíça, de 30 de Maio a 2 de Junho. Além de Lili Gruber, animadora de televisão do Canal 7, uma hóspede permanente de Bilderberg, foi convidado um outro jornalista: Stefano Feltri, director adjunto de Fatto Quotidiano, dirigido por Marco Travaglio. O “terceiro homem” escolhido pelo Bilderberg foi Matteo Renzi, senador do Partido Democrático, antigo presidente do Conselho de Ministros.

Formado em 1954, formalmente por iniciativa de “eminentes cidadãos” norte-americanos e europeus, o Grupo de Bilderberg foi realmente criado pela CIA e pelos serviços secretos britânicos MI6 para apoiar a NATO contra a União Soviética. Depois da guerra fria, manteve o mesmo papel no apoio à estratégia Estados Unidos/NATO.

Todos os anos são convidados cerca de 130 representantes do mundo político, económico e militar, dos grandes meios de comunicação e dos serviços secretos oriundos quase exclusivamente da Europa Ocidental e da América do Norte, que formalmente participam a título pessoal. Reúnem-se à porta fechada, em cada ano num país diferente, em hotéis de luxo blindados por sistemas draconianos de segurança militar. Não é admitido qualquer jornalista ou observador e não é divulgado qualquer comunicado. Os participantes estão sujeitos à lei do silêncio: não podem sequer revelar a identidade dos intervenientes que lhes fornecem informações (com desprezo pela proclamada “transparência”). Sabe-se apenas que este ano se falou sobretudo da Rússia e da China, de sistemas espaciais, de uma ordem estratégica estável e do futuro do capitalismo.

Como é hábito, as presenças mais importantes foram as norte-americanas: Henry Kissinger, “figura histórica” do grupo, que o criou juntamente com o banqueiro David Rockefeller (igualmente fundador da Comissão Trilateral, falecido em 2017); Mike Pompeo, ex-chefe da CIA e actual secretário de Estado; David Petraeus, general e antigo chefe da CIA; Jared Kushner, conselheiro (e genro) do presidente Trump para o Médio Oriente e amigo íntimo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Nas suas esteiras participou também Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO, que recebeu um segundo mandato pelos serviços prestados aos Estados Unidos. 

Batuta de atentados

Durante quatro dias, em encontros secretos multilaterais e bilaterais, estes e outros representantes dos grandes poderes (conhecidos e ocultos) do Ocidente reforçaram e expandiram a rede de contactos que lhes permite influenciar políticas governamentais e as orientações da opinião pública.

Os resultados já são visíveis. Em Il Fatto Quotidiano, Stefano Feltri defende acerrimamente o Grupo de Bilderberg explicando que as reuniões decorrem à porta fechada “para criar um contexto de debate franco e aberto, justamente por ser não institucional”, e lançando-se sobre os “numerosos autores de complots” que divulgam “lendas” sobre o Grupo de Bilderberg e a Comissão Trilateral.

Nada disse sobre o facto de entre os “numerosos autores de complots” estar o juiz Ferdinando Imposimato, presidente honorário do Supremo Tribunal de Cassação (falecido em 2018), que resumiu assim os resultados das investigações que efectuou: “o Grupo de Bilderberg é um dos responsáveis pela estratégia de tensão e, também por isso, dos massacres”, a começar pelo da Piazza Fontana (Milão, 12 de Dezembro de 1969), concertado com a CIA e os serviços secretos italianos, com a Gladio e os grupos neofascistas, com a Loja P2 e as lojas maçónicas norte-americanas nas bases da NATO.

Neste prestigioso clube foi presentemente admitido Matteo Renzi. Pondo de parte que tenha sido convidado pelos seus talentos de analista, resta a hipótese de os poderosos de Bilderberg estarem em vias de preparar, de maneira oculta, qualquer outra operação política em Itália. Feltri desculpar-nos-á por nos juntarmos deste modo aos “numerosos autores de complots”.

*Ver a lista oficial de participantes reforçada com dados biográficos de muitos dos presentes



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